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Amo meus Netos! Presentes de Deus! Com a linda crônica de Rachel de Queiroz, “A Arte de ser Avô(Avó)”

Amo meus Netos! Presentes de Deus! Com a linda crônica de Rachel de Queiroz, “A Arte de ser Avô(Avó)


Amo meus Netos! Presentes de Deus! 


Netos são presentes de Deus para os avós que dedicam suas vidas para a família.


(Marcos Alves de Andrade)


Reflexão publicada também no Pensador


Uma das coisas mais bonitas em uma família é poder acariciar uma criança e deixar-se acariciar pelo avô ou pela avó.

(Papa Francisco)

A ARTE DE SER AVÔ (AVÓ)

Netos são como heranças. 
Você os ganha sem merecer. 
Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu… 
Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, as dores da maternidade.
E não se trata de um filho suposto. 
O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, o filho do filho, mais filho que filho mesmo….
A velhice tem suas alegrias, as suas compensações… 
Todavia, às vezes, lhe dá aquela nostalgia da mocidade. 
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. 
A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. 
Bracinhos de criança no seu pescoço. 
Choro de criança…. Meu deus, para onde foram as suas crianças?
Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é “devolvido”. 
E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção.
A avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. 
Faz coisas não programadas. 
Leva a passear, “não ralha nunca”. 
Deixa lambuzar de pirulito. 
Não tem a menor pretensão pedagógica. 
É a confidente das horas de ressentimento, a secreta aliada nas crises de rebeldia.
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz “vó”, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

(Rachel de Queiroz)

Acesse também:



Quando a casa dos avós se fecha… (emocionante poema, reflexão)

Quando a casa dos avós se fecha… (emocionante poema, reflexão)


Quando a casa dos avós se fecha…


Quando a casa dos avós se fecha, o silêncio se faz,

As risadas dos netos agora são ecos de paz.

Fins de semana de filhos casados, em festa e união,

Ficam guardados pra sempre no fundo do coração.


Restam lembranças dos almoços e do aroma do café,

Histórias contadas com alma, doçura e muita fé.

Cada morador que partiu deixou um rastro de luz,

Na saudade da casa antiga que ainda nos conduz.


No terreno agora vazio sussurram velhas canções,

De netos correndo descalços e grandes celebrações.

O portão que rangia no abraço de quem chegava,

Hoje guarda o segredo de uma vida que ali pulsava.


Mas o que se viveu naquela casa  não se deixa perder,

Pois o amor dos pais e avós tem o dom de nos fazer crescer.

Mesmo que a chave gire e a luz se apague no fim,

A essência daquela casa viverá sempre em mim.


(Marcos Alves de Andrade)


A primeira imagem, elaborada através de IA, com base na segunda imagem e lembranças do autor - eram 04 janelas frontais)



Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia (poema e conto). Caranguejo aparece em uma praia e faz a alegria das crianças.

Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia (poema e conto). Caranguejo aparece em uma praia e faz a alegria das crianças.


Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia


Na praia onde o vento escreve em grãos de sal,

vive Timo, pequeno e pálido como a espuma do mar,

sob o sol que rouba a vida e seca o respirar,

ele cava o seu mundo, onde pode se guardar.


Enquanto o mundo humano se espalha em cor e som,

guarda-sóis florescem e risos dançam no ar,

Timo segue em silêncio, com precisão e dom,

um arquiteto paciente que não pode parar.


E então vêm as crianças, em círculo a observar,

olhos cheios de encanto, atentos ao seu fazer,

cada bolinha de areia é um segredo a revelar,

um espetáculo simples que faz o mundo crescer.


No fundo de sua toca há frescor e proteção,

um banquete invisível, um refúgio essencial,

e sem saber, Timo ensina, em sua dedicação,

que o pequeno gesto pode ser grandioso e vital.


Abaixo, o conto que inspirou o poema.


Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia

Naquela faixa silenciosa de praia, onde o vento desenhava linhas finas sobre a areia, vivia Timo, um pequeno caranguejo de carapaça pálida, quase da cor da espuma do mar.

O sol de meio-dia começava a castigar o litoral, e para Timo, aquele brilho dourado não era um convite ao lazer, mas um sinal de perigo. No mundo dos crustáceos, o sol é um ladrão de umidade, e um caranguejo seco é um caranguejo que não respira.

Timo não era como os outros. Enquanto muitos de sua espécie passavam o dia apenas cavando e se escondendo, ele via significado em cada grão de areia que movia. Sua toca — uma curva profunda em forma de “J” — não era apenas um buraco. Era sua casa, seu escudo, seu mundo. A areia ainda estava fria sob as patas de Timo, que ainda se encontrava na sua toca.


A Escavação Diante dos Olhares das Pessoas

A poucos metros de Timo, o mundo humano fervilhava. Guarda-sóis se abriam como flores coloridas pontuando a areia, toalhas eram estendidas e o som de conversas e risos preenchia o ar, crianças brincavam na areia, passos pesados afundavam na areia. Timo percebia tudo isso — as sombras, os movimentos, o tremor do chão.

Muitos animais teriam fugido para o mar, aterrorizados pela vibração dos passos. Timo, no entanto, era um arquiteto pragmático. O calor não esperava e sua toca precisava ser terminada e limpa. Sabia que, a qualquer momento, poderia correr para dentro de sua toca.

Com uma agilidade coreografada por milênios de instinto, Timo iniciou sua obra, saindo e entrando, cuidadosamente, várias vezes na sua toca. Suas pequenas patas funcionavam como pás de precisão, retirando, com paciência, porções de areia úmida das profundezas e depositando-os na borda. Ele não continuava a cavar apenas um buraco; ele construía um refúgio termodinâmico. Com uma coragem tranquila, Timo seguia seu trabalho, entrando e saindo da toca. Era como um artista que se recusava a parar, mesmo com o mundo girando ao redor, como se estivesse escrevendo uma história no chão da praia.


O Fascínio das Crianças

O movimento frenético de Timo não passou despercebido por muito tempo. Um menino de chapéu foi o primeiro a vê-lo, parando a meio caminho do mar com seu balde plástico. Logo,  outras crianças se juntaram a ele, agachando-se em um semicírculo respeitoso, a uma distância segura, os olhos arregalados de admiração, observavam em silêncio.

— Olha! Ele tá trazendo bolinhas de areia do fundo da toca! — dizia uma voz animada.

Elas observavam, fascinadas e em silêncio ciente, enquanto Timo executava suas viagens à superfície. Os adultos passavam, muitas vezes sem perceber. Mas as crianças acompanhavam cada movimento de Timo, como se estivessem diante de um pequeno espetáculo da natureza. 

Timo depositava a areia tirada da toca, criando uma pequena muralha ao redor da entrada — sua defesa também contra o bico de uma gaivota que rodeava o céu, pairando sobre as silhuetas de pessoas e peixes na água. 

Timo, mesmo atento ao perigo, parecia entender aqueles olhares curiosos das crianças. Não fugia à primeira sombra. Continuava, paciente, construindo seu círculo de pequenas obras.

E ali, entre o vai e vem das ondas e o riso leve das crianças, Timo transformava algo simples em algo extraordinário.


O Banquete e o Santuário

Enquanto aprofundava sua toca em um formato de "J", Timo aproveitava o trabalho para se alimentar. Ele levava pequenas porções de areia à boca, filtrando microscopicamente a matéria orgânica e os nutrientes trazidos pela maré anterior — um banquete invisível.

O que sobrava eram as bolinhas de areia limpa, que ele descartava com o cuidado de um joalheiro, formando padrões geométricos na entrada de sua casa, para o deleite das crianças que, em sussurros animados, tentavam contar cada bolinha.

Após atingir quase um metro de profundidade, Timo sentiu o toque reconfortante da água acumulada no fundo, essencial para a gestão de água branquial. Ali, o ar era fresco. Ele mergulhou as laterais do corpo, recarregando o estoque de oxigênio.

Lá fora, o mundo era um caos de predadores e calor, mas Timo continuava, indiferente à multidão que agora se aproximava para ver o que fascinava tanto as crianças. Ele sabia que sua engenharia era a única coisa capaz de manter o oceano e o deserto em perfeito equilíbrio, enquanto suas bolinhas de areia limpa garantiam que o banquete invisível continuasse, alegrando, sem saber, o dia daqueles observadores.

Sua toca ainda era abrigo — contra o sol, contra predadores, contra a maré. Mas agora, também era palco. E, mesmo sem saber, aquele pequeno caranguejo ensinava algo importante a quem o observava: Que até os menores gestos, feitos com constância e propósito, podem encantar o mundo inteiro.


(Marcos Alves de Andrade)


Vídeo de um Caranguejo na praia



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