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Uma Lição de Amor que Aquece o Coração. Há momentos na vida em que uma cena simples, inesperada… Ver mais


Uma Lição de Amor que Aquece o Coração. 


Há momentos na vida em que uma cena simples, inesperada, é capaz de tocar profundamente o nosso coração e nos fazer enxergar a grandeza da criação. Vivi um desses momentos em Tiradentes, Minas Gerais, ao lado de minha esposa, em um dia frio que me reservava uma inesquecível lição de amor.


Caminhávamos por uma rua estreita, calçada com pedras, ladeada por antigas casas que preservavam o charme de outros tempos. Os passeios eram estreitos e quase não havia pessoas por ali. Foi então que avistei uma pequena cadela entrando na rua, do outro lado. Ela carregava um pedaço de papelão na boca, e aquele detalhe, a princípio, não despertou em mim nenhuma curiosidade especial.


Seguimos seu trajeto com os olhos até que ela parou em frente a um lote vago, cercado por um muro rústico de placas de cimento. Observamos, intrigados, sua primeira tentativa de entrar no terreno. Havia um buraco em um dos cantos do muro, grande o suficiente para ela, mas o papelão que trazia preso aos dentes a impedia de passar. O tamanho da placa simplesmente não permitia o acesso.


Ela, porém, não desistiu.


Qualquer criatura guiada apenas por um instinto rudimentar talvez soltasse o objeto ali mesmo. Mas não ela. Como se calculasse a situação, a pequena cadela recuou e analisou a estrutura. Mais abaixo do muro de placas,encontrou uma outra falha: um buraco largo rente ao chão, porém baixo demais na altura, de tal forma que seu corpo não conseguiria passar.


O que ela fez a seguir foi brilhante. Com extrema habilidade, enfiou o pedaço de papelão por aquela fenda mais baixa, empurrando-o para dentro do terreno. Assim que se livrou do volume, deu meia-volta, retornou ao buraco maior e passou por ele com facilidade.


Meu cérebro humano, tentando acompanhar a lógica daquele pequeno animal, imediatamente deduziu: ela entrara pelo buraco maior para resgatar o papelão que havia deixado do outro lado do buraco menor. A curiosidade me dominou. O muro de placas não era alto, e encontrei uma fresta pela qual pude espiar o interior do terreno. E foi nesse instante que presenciei uma das cenas mais emocionantes que já vivi.


O que meus olhos presenciaram foi uma cena inacreditável, de uma ternura tão profunda que paralisaria qualquer pessoa. Não era apenas uma questão de recuperar um objeto ou brincar. A pequena cadela havia ajeitado o papelão no chão com um propósito comovente: abrigar uma ninhada de cachorrinhos. Ela usava cuidadosamente a placa para protegê-los da friagem que subia da terra úmida. Assim que os acomodou com segurança no papelão, deitou-se suavemente junto a eles, e os pequenos, sentindo-se aquecidos e seguros,passaram a mamar.


Fiquei ali, maravilhado, com o coração inundado por um calor que o frio da rua não conseguia apagar. Dividi aquele momento em silêncio com minha esposa. Naquela inteligência engenhosa e naquele cuidado devotado, vi a prova definitiva de que os animais não apenas agem por reflexo — eles sentem, pensam e, acima de tudo, eles amam.


Naquela rua silenciosa, longe de qualquer espetáculo grandioso, eu acabara de testemunhar algo extraordinário: uma mãe que, mesmo sem palavras, demonstrava uma capacidade impressionante de encontrar soluções para proteger aqueles que dependiam dela.


A cadelinha não tinha mãos para construir um abrigo, nem podia pedir ajuda a alguém. Tinha apenas o que encontrara e a determinação de fazer daquele pedaço de papelão algo útil para seus filhotes. Observando suas atitudes, não pude deixar de me surpreender com a maneira como ela percebeu o obstáculo, encontrou uma alternativa e alcançou seu objetivo.


Mais uma vez, senti a presença de Deus manifestada na riqueza e na beleza da vida.


Quantas vezes procuramos grandes sinais para reconhecer a presença divina, quando ela pode estar diante de nossos olhos, nas pequenas manifestações de amor que acontecem todos os dias?


Aquela cadelinha talvez jamais saiba a lição que me ensinou. Eu, porém, jamais esquecerei o que vi e, depois de muitos anos, com a ajuda da IA escrevi esta emocionante crônica e procurei demonstrar também em vídeo.


O amor não precisa de palavras, riqueza ou grandes recursos para se manifestar. Quando existe alguém que depende de nós, até mesmo um simples pedaço de papelão pode se transformar em abrigo, proteção e esperança.


Naquele dia frio, em uma antiga rua de Tiradentes, uma pequena cadela aqueceu seus filhotes e, sem saber, aqueceu também o meu coração.


Uma das mais belas lições que podemos aprender com os animais: amar é cuidar, é encontrar caminhos diante das dificuldades e é fazer tudo o que está ao nosso alcance para proteger aqueles que amamos.


(Marcos Alves de Andrade)


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Vídeo da crônica reflexiva baseada em uma experiência real: 




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