-->



Traduzir os posts / Translate the posts


Reflexão motivacional, com a emocionante reflexão de Chico Xavier: “O Supérfluo e o Necessário”

Reflexão motivacional, com a emocionante reflexão de Chico Xavier:  “O Supérfluo e o Necessário”



"Usar roupas sem marca e baratas não significa que você é pobre. Lembre-se: você tem uma família para alimentar, não uma comunidade para impressionar." 

Segundo pesquisa e resposta por IA, embora essa frase seja amplamente atribuída na internet à atriz britânica Emma Watson, não há registros oficiais ou entrevistas onde Emma Watson tenha dito essa frase. Trata-se de um meme motivacional que viralizou globalmente e acabou sendo associado ao nome dela por engano. A autoria original exata da frase é desconhecida, funcionando como um ditado popular da era digital.”

 
O SUPÉRFLUO E O NECESSÁRIO (CHICO XAVIER)

Uns queriam um emprego melhor; outros, um emprego... 

Uns queriam uma refeição mais farta; outros, apenas uma refeição... 

Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver... 

Uns queriam ter pais mais esclarecidos; outros, apenas ter pais... 

Uns queriam ter olhos claros; outros, apenas enxergar... 

Uns queriam ter voz bonita; outros apenas falar... 

Uns queriam o silêncio; outros, ouvir... 

Uns queriam um sapato novo; outros, ter pés... 

Uns queriam um carro; outros, andar... 

Uns queriam o supérfluo... 

Outros, apenas o necessário... 


"O Supérfluo e o Necessário" é uma das mensagens de Chico Xavier mais acessadas na Comunidade Reflexões Para Todos.


O MILAGRE DE SÃO PEREGRINO LAZIOSI (padroeiro dos doentes com câncer)

O MILAGRE DE SÃO PEREGRINO LAZIOSI (padroeiro dos doentes com câncer)

O MILAGRE DE SÃO PEREGRINO LAZIOSI


São Peregrino Lasiosi, acometido por um grave câncer na perna, já sem esperança…
Com fé e humildade, ele se coloca aos pés do Crucifixo e roga a Jesus pela sua cura.
“Senhor Jesus, que por amor a nós sofrestes na cruz, tende piedade de mim…”
De repente, algo sobrenatural acontece… Jesus desce da cruz.
Jesus se aproxima de São Peregrino com amor e compaixão…
…e toca a sua perna enferma.
Nesse instante, o câncer desaparece e a perna fica completamente curada!
São Peregrino, tomado de gratidão, adora e louva o Senhor por este grande milagre!
Deus ouve a oração do justo e realiza milagres hoje e sempre!


Oração a São Peregrino Laziosi (protetor contra o câncer e úlceras)


Oh São Peregrino, que se converteu e ingressou na Ordem dos Servos de Maria;  
Que padeceste, durante muito tempo, correndo risco de morrer, acometido por um grave câncer na perna, a qual seria amputada; 
Que rezou aos pés da Cruz, rogando pela sua própria cura; 
Que teve a visão de Jesus descendo da cruz e tocando a sua perna enferma; 
Que obteve o milagre, ficando totalmente curado, sem necessidade de amputação; 
Interceda junto a Jesus para tocar e curar minha enfermidade (... a enfermidade de .....). 
Oh São Peregrino, declaro minha fé absoluta em Jesus Cristo, a quem rogo ouvir nossas preces e conceder o milagre da cura que tanto procuramos. 
Amém.                                                                       

(Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e 1 Glória ao Pai)

São Peregrino Laziosi foi canonizado pelo Papa Bento XIII em 1726. A  Igreja Católica celebra São Peregrino no dia 4 de maio, sendo reverenciado no dia 04 de cada mês, por pessoas portadoras de enfermidades, principalmente câncer e úlcera, seus amigos e familiares.

São Peregrino Laziosi viveu entre 1260 e 1345 e é conhecido como o padroeiro dos doentes com câncer, especialmente por causa do relato milagroso da cura de sua perna pouco antes de uma amputação.


(Marcos Alves de Andrade)

Prece publicada também no Pensador

Acesse, também, neste blog:

 Oração de São Peregrino Laziosi  (outra)



Dia das Mães! Homenagem à memória das mães, vítimas de feminicídio, e às mães que sofreram agressões por maridos, ex-maridos, companheiros ou ex-companheiros

Dia das Mães! Homenagem à memória das mães, vítimas de feminicídio, e às mães que sofreram agressões por maridos, companheiros ou ex-companheiros


🌹 DIA DAS MÃES 🌹

Neste Dia das Mães, rendemos nossa homenagem e nossa memória às mães que tiveram suas vidas interrompidas pela violência, pelo feminicídio, pela crueldade daqueles que deveriam lhes oferecer amor, proteção e respeito.

Lembramos também das mães que sobreviveram às agressões físicas, psicológicas e emocionais praticadas por maridos, ex-maridos, companheiros ou ex-companheiros. Mulheres que, muitas vezes em silêncio, carregam dores profundas enquanto seguem lutando por seus filhos e por sua própria dignidade.

Nenhuma mãe deveria viver com medo.

Nenhuma mulher deveria sofrer violência dentro do próprio lar.

Nenhuma criança deveria crescer presenciando agressões.

Que este Dia das Mães seja também um momento de conscientização, de reflexão e de compromisso coletivo para combater toda forma de violência contra a mulher.

Que a memória das mães que partiram jamais seja esquecida.
E que as mães que sofrem encontrem acolhimento, proteção, justiça e esperança.

Que o amor, o respeito e a paz prevaleçam dentro de todos os lares.

Não ao feminicídio.

Não à violência doméstica.

Protejam as mães. Protejam as mulheres.

(Marcos Alves de Andrade)


Acesse em Reflexões Para Todos :
Reflexões Motivacionais
Reflexões sobre Mulher
Reflexões sobre Família



Amo meus Netos! Presentes de Deus! Com a linda crônica de Rachel de Queiroz, “A Arte de ser Avô(Avó)”

Amo meus Netos! Presentes de Deus! Com a linda crônica de Rachel de Queiroz, “A Arte de ser Avô(Avó)


Amo meus Netos! Presentes de Deus! 


Netos são presentes de Deus para os avós que dedicam suas vidas para a família.


(Marcos Alves de Andrade)


Reflexão publicada também no Pensador


Uma das coisas mais bonitas em uma família é poder acariciar uma criança e deixar-se acariciar pelo avô ou pela avó.

(Papa Francisco)

A ARTE DE SER AVÔ (AVÓ)

Netos são como heranças. 
Você os ganha sem merecer. 
Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu… 
Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, as dores da maternidade.
E não se trata de um filho suposto. 
O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, o filho do filho, mais filho que filho mesmo….
A velhice tem suas alegrias, as suas compensações… 
Todavia, às vezes, lhe dá aquela nostalgia da mocidade. 
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. 
A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. 
Bracinhos de criança no seu pescoço. 
Choro de criança…. Meu deus, para onde foram as suas crianças?
Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é “devolvido”. 
E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção.
A avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. 
Faz coisas não programadas. 
Leva a passear, “não ralha nunca”. 
Deixa lambuzar de pirulito. 
Não tem a menor pretensão pedagógica. 
É a confidente das horas de ressentimento, a secreta aliada nas crises de rebeldia.
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz “vó”, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

(Rachel de Queiroz)

Acesse também:



Quando a casa dos avós se fecha… (emocionante poema, reflexão)

Quando a casa dos avós se fecha… (emocionante poema, reflexão)


Quando a casa dos avós se fecha…


Quando a casa dos avós se fecha, o silêncio se faz,

As risadas dos netos agora são ecos de paz.

Fins de semana de filhos casados, em festa e união,

Ficam guardados pra sempre no fundo do coração.


Restam lembranças dos almoços e do aroma do café,

Histórias contadas com alma, doçura e muita fé.

Cada morador que partiu deixou um rastro de luz,

Na saudade da casa antiga que ainda nos conduz.


No terreno agora vazio sussurram velhas canções,

De netos correndo descalços e grandes celebrações.

O portão que rangia no abraço de quem chegava,

Hoje guarda o segredo de uma vida que ali pulsava.


Mas o que se viveu naquela casa  não se deixa perder,

Pois o amor dos pais e avós tem o dom de nos fazer crescer.

Mesmo que a chave gire e a luz se apague no fim,

A essência daquela casa viverá sempre em mim.


(Marcos Alves de Andrade)


A primeira imagem, elaborada através de IA, com base na segunda imagem e lembranças do autor - eram 04 janelas frontais)



Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia (poema e conto). Caranguejo aparece em uma praia e faz a alegria das crianças.

Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia (poema e conto). Caranguejo aparece em uma praia e faz a alegria das crianças.


Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia


Na praia onde o vento escreve em grãos de sal,

vive Timo, pequeno e pálido como a espuma do mar,

sob o sol que rouba a vida e seca o respirar,

ele cava o seu mundo, onde pode se guardar.


Enquanto o mundo humano se espalha em cor e som,

guarda-sóis florescem e risos dançam no ar,

Timo segue em silêncio, com precisão e dom,

um arquiteto paciente que não pode parar.


E então vêm as crianças, em círculo a observar,

olhos cheios de encanto, atentos ao seu fazer,

cada bolinha de areia é um segredo a revelar,

um espetáculo simples que faz o mundo crescer.


No fundo de sua toca há frescor e proteção,

um banquete invisível, um refúgio essencial,

e sem saber, Timo ensina, em sua dedicação,

que o pequeno gesto pode ser grandioso e vital.


Abaixo, o conto que inspirou o poema.


Timo, o Caranguejo, Arquiteto da Praia

Naquela faixa silenciosa de praia, onde o vento desenhava linhas finas sobre a areia, vivia Timo, um pequeno caranguejo de carapaça pálida, quase da cor da espuma do mar.

O sol de meio-dia começava a castigar o litoral, e para Timo, aquele brilho dourado não era um convite ao lazer, mas um sinal de perigo. No mundo dos crustáceos, o sol é um ladrão de umidade, e um caranguejo seco é um caranguejo que não respira.

Timo não era como os outros. Enquanto muitos de sua espécie passavam o dia apenas cavando e se escondendo, ele via significado em cada grão de areia que movia. Sua toca — uma curva profunda em forma de “J” — não era apenas um buraco. Era sua casa, seu escudo, seu mundo. A areia ainda estava fria sob as patas de Timo, que ainda se encontrava na sua toca.


A Escavação Diante dos Olhares das Pessoas

A poucos metros de Timo, o mundo humano fervilhava. Guarda-sóis se abriam como flores coloridas pontuando a areia, toalhas eram estendidas e o som de conversas e risos preenchia o ar, crianças brincavam na areia, passos pesados afundavam na areia. Timo percebia tudo isso — as sombras, os movimentos, o tremor do chão.

Muitos animais teriam fugido para o mar, aterrorizados pela vibração dos passos. Timo, no entanto, era um arquiteto pragmático. O calor não esperava e sua toca precisava ser terminada e limpa. Sabia que, a qualquer momento, poderia correr para dentro de sua toca.

Com uma agilidade coreografada por milênios de instinto, Timo iniciou sua obra, saindo e entrando, cuidadosamente, várias vezes na sua toca. Suas pequenas patas funcionavam como pás de precisão, retirando, com paciência, porções de areia úmida das profundezas e depositando-os na borda. Ele não continuava a cavar apenas um buraco; ele construía um refúgio termodinâmico. Com uma coragem tranquila, Timo seguia seu trabalho, entrando e saindo da toca. Era como um artista que se recusava a parar, mesmo com o mundo girando ao redor, como se estivesse escrevendo uma história no chão da praia.


O Fascínio das Crianças

O movimento frenético de Timo não passou despercebido por muito tempo. Um menino de chapéu foi o primeiro a vê-lo, parando a meio caminho do mar com seu balde plástico. Logo,  outras crianças se juntaram a ele, agachando-se em um semicírculo respeitoso, a uma distância segura, os olhos arregalados de admiração, observavam em silêncio.

— Olha! Ele tá trazendo bolinhas de areia do fundo da toca! — dizia uma voz animada.

Elas observavam, fascinadas e em silêncio ciente, enquanto Timo executava suas viagens à superfície. Os adultos passavam, muitas vezes sem perceber. Mas as crianças acompanhavam cada movimento de Timo, como se estivessem diante de um pequeno espetáculo da natureza. 

Timo depositava a areia tirada da toca, criando uma pequena muralha ao redor da entrada — sua defesa também contra o bico de uma gaivota que rodeava o céu, pairando sobre as silhuetas de pessoas e peixes na água. 

Timo, mesmo atento ao perigo, parecia entender aqueles olhares curiosos das crianças. Não fugia à primeira sombra. Continuava, paciente, construindo seu círculo de pequenas obras.

E ali, entre o vai e vem das ondas e o riso leve das crianças, Timo transformava algo simples em algo extraordinário.


O Banquete e o Santuário

Enquanto aprofundava sua toca em um formato de "J", Timo aproveitava o trabalho para se alimentar. Ele levava pequenas porções de areia à boca, filtrando microscopicamente a matéria orgânica e os nutrientes trazidos pela maré anterior — um banquete invisível.

O que sobrava eram as bolinhas de areia limpa, que ele descartava com o cuidado de um joalheiro, formando padrões geométricos na entrada de sua casa, para o deleite das crianças que, em sussurros animados, tentavam contar cada bolinha.

Após atingir quase um metro de profundidade, Timo sentiu o toque reconfortante da água acumulada no fundo, essencial para a gestão de água branquial. Ali, o ar era fresco. Ele mergulhou as laterais do corpo, recarregando o estoque de oxigênio.

Lá fora, o mundo era um caos de predadores e calor, mas Timo continuava, indiferente à multidão que agora se aproximava para ver o que fascinava tanto as crianças. Ele sabia que sua engenharia era a única coisa capaz de manter o oceano e o deserto em perfeito equilíbrio, enquanto suas bolinhas de areia limpa garantiam que o banquete invisível continuasse, alegrando, sem saber, o dia daqueles observadores.

Sua toca ainda era abrigo — contra o sol, contra predadores, contra a maré. Mas agora, também era palco. E, mesmo sem saber, aquele pequeno caranguejo ensinava algo importante a quem o observava: Que até os menores gestos, feitos com constância e propósito, podem encantar o mundo inteiro.


(Marcos Alves de Andrade)


Vídeo de um Caranguejo na praia



Acesse em 

Contos e Crônicas da Natureza


Reflexões e mensagens sobre:

Meio Ambiente , Natureza , Clima , Animais

Poemas, Crônicas, Parábolas... 





O Pé de Caqui e os Tucanos: Gratidão da Natureza

O Pé de Caqui e os Tucanos: Gratidão da Natureza. Uma reflexão emocionante.


O PÉ DE CAQUI E OS TUCANOS: GRATIDÃO DA NATUREZA


No quintal de Dona Vilma, em que o tempo parecia aprender a caminhar devagar e o sol da tarde se esparramava preguiçoso, havia um Pé de Caqui. Não fora plantado — disso ela tinha certeza. Surgira como surgem certos milagres discretos: sem anúncio, sem testemunhas, apenas o gesto invisível da vida insistindo em acontecer. Ela gostava de imaginar que foi algum viajante apressado, talvez um sabiá, um bem-te-vi ou um sanhaço, que carregava a semente no bico e a deixou cair ali, bem no cantinho que o vento protegia.


Dona Vilma gostava de contar essa história para quem quisesse ouvir:


— Eu estava varrendo as folhas secas, trazidas pelo vento, quando vi um brotinho miúdo rompendo o chão, perto do muro. No começo, pensei que fosse erva daninha, ia até arrancar. Mas aí olhei direito e vi que era diferente. Era uma árvore querendo vir ao mundo sem pedir licença e a terra, silenciosa como sempre, a acolheu.


Logo que na pequena árvore apareceram alguns galhos e folhas, Dona Vilma pesquisou, com amigos e familiares, bem como na internet, e constatou que se tratava de um Pé de Caqui da variedade Rama Forte, que tem coloração avermelhada que se assemelha ao tomate, polpa com consistência gelatinosa, menos ácida e rica em amido e frutose. Com o tempo, naquele pequeno reino verde, o caquizeiro, com galhos retorcidos e folhas que brilhavam como se fossem enceradas, crescia forte, robusto, como quem tem um propósito.


Dona Vilma sempre retirava ervas daninhas em volta do Pé de Caqui, deixando somente grama que não prejudicasse seu crescimento e aguava diariamente nas épocas sem chuva. Em poucos anos, já dava sombra e, mais importante, quando o outono chegava, o quintal se transformava. O verde dava lugar a centenas de esferas alaranjadas — os caquis, que ficam com coloração vermelha quando maduros —, doces como mel, que pendiam dos galhos que se curvavam como quem oferece presentes. Primeiro tímidos. Depois abundantes. Era o sinal para a festa começar. E nunca faltavam visitantes.


Do outro lado do quintal, havia um bambuzal alto e denso, como uma muralha de hastes douradas. É ali que, há muitos anos, um casal de tucanos, de bico alaranjado e peito branco, barulhentos e alegres, construía ninhos e criava seus filhotes. Eles anunciavam sua presença com um canto peculiar, quase como uma risada ecoando entre os bambus. Muitas vezes apareciam, alegrando o ambiente: voavam até um abacateiro próximo, à procura de frutos maduros, ou para mais longe.


Dona Vilma os reconhecia de longe pelo voo, pelas cores, pelos grandes bicos alaranjados.


— São os tucanos — ela dizia, ao vê-los e ouvir o tuc-tuc-tuc característico.


O casal de tucanos construía o ninho com dedicação, e logo o bambuzal, em que o mistério da vida se renovava a cada estação, se enchia de vidas novas — pequenos bicos curiosos espiando o mundo. Os filhotes cresciam protegidos pela oscilação dos bambus ao vento. Os tucanos-pais ensinavam os filhotes novinhos a voar, primeiramente com pequenos voos em volta do bambuzal, depois arriscando até árvores mais próximas, inclusive até o abacateiro, onde aprendiam a bicar algum fruto maduro. Mas, além do abacate, todos precisavam comer outros frutos, com outros sabores e outras vitaminas.


Os filhotes aprendiam rápido, com os pais, o caminho até o Pé de Caqui. Primeiro observavam, depois arriscavam voos próximos, até que, um dia, já estavam ali, disputando espaço entre sabiás-laranjeiras, bem-te-vis, alguns sanhaços mais ousados e até um ou outro joão-de-barro curioso. O Caquizeiro do quintal da Dona Vilma virou o “ponto de encontro” da vizinhança alada. Era uma festa silenciosa e colorida, que só quem parasse para olhar com calma conseguiria perceber.


E que festa era aquela! Quando os caquis amadureciam, o quintal inteiro virava uma celebração. Com uma destreza impressionante, os pássaros colhiam os caquis mais maduros, partindo a casca fina para revelar a polpa gelatinosa. Os tucanos-pais ensinavam os filhotes novinhos a bicar os frutos. Os bebês tucanos, ainda com o bico curto e desengonçado, ensaiavam voos atrapalhados entre um caqui e outro. Dona Vilma costumava dizer que o quintal não lhe pertencia; ela era apenas a zeladora de um banquete que a própria terra organizava.


Dona Vilma assistia a tudo da janela da cozinha, com um sorriso que não precisava de explicação. Às vezes, com uma xícara de café aquecendo as mãos, ela observava o espetáculo. Nunca colhia todos os frutos; aliás, eram muitos. Sabia — de um saber que não se aprende em livros — que algumas coisas não são feitas para serem guardadas. São feitas para circular. O Pé de Caqui não era só dela. Era um ponto de encontro, um pequeno acordo entre o humano e o natural.


— Comam — murmurava, quase em oração. — A árvore também é de vocês.


Dona Vilma só colhia alguns caquis, geralmente os que se encontravam mais baixos. O resto, oferecia de coração. Dizia que o gosto maior estava em ver aquela algazarra de penas e cantos. Quando lhe perguntavam por que não vendia os frutos, já que eram tantos e tão bonitos, sorria com a paciência de quem já atravessou certas respostas, Dona Vilma respondia com simplicidade:


— Nem tudo que chega até a gente é para guardar.


Numa tarde qualquer — embora nenhuma fosse realmente comum — uma vizinha lhe fez a pergunta inevitável:


— Como pode? Um pé de caqui tão bonito, que dá muitos frutos, sem nunca ter sido plantado… é mágica?


Dona Vilma olhou demoradamente para a árvore, para o bambuzal, para o céu, para  os tucanos que, naquele momento, ensaiavam um voo rasante entre os galhos. Havia, naquele instante, uma ordem silenciosa ligando tudo — algo que não se explica, mas se reconhece. E respondeu, com seus olhos mansos de quem já entendeu o que poucos entendem:


— Mágica não, minha amiga. É a natureza agradecendo. A gente cuida do quintal, oferece paz e tranquilidade. Aí, um dia, um passarinho qualquer resolve deixar um presente no chão. Esse presente vira sombra, vira fruta, vira casa. A natureza só quer saber se a gente tem espaço para ela no coração. Se tiver, ela mesma se encarrega do resto.


E, depois de uma pausa que parecia conter mais do que palavras:


— A natureza devolve.


A vizinha não compreendeu por inteiro. Nem era preciso. Mas os tucanos, já pousados no alto do Caquizeiro, entenderam. Um deles, pousado mais perto do que de costume, olhando direto para Dona Vilma por alguns segundos, inclinou levemente a cabeça, como quem observa além da aparência, e soltou seu canto — seco, metálico, quase riso. Dona Vilma riu também. E, por um instante, ela teve a sensação de que havia sido compreendida.


Para Dona Vilma, o caquizeiro era a prova viva de uma matemática sagrada: um pássaro trouxe a semente, a terra deu a árvore, e agora a árvore alimentava os netos daquele primeiro pássaro. No quintal de Dona Vilma, nada se perdia, tudo se compartilhava, e o que não faltava era gratidão — de todos os lados. Um ciclo simples e absoluto: o que chega, transforma; o que se oferece, permanece; o que se compartilha, multiplica. A natureza, em um gesto de gratidão silenciosa, resolveu retribuir com uma árvore frutífera.


E, assim, Dona Vilma compreendia que ali também se revelava a presença de Deus: não em palavras grandiosas, mas no ciclo perfeito da vida, onde cada gesto de cuidado encontra resposta, e cada semente carrega um propósito — como se o divino se manifestasse, discretamente, na harmonia entre o homem e a natureza.


(Marcos Alves de Andrade)



Pesquisar neste blog, com milhares de
publicações e milhões de acesso.

POST DO DIA

Carregando Post Destaque Diário...

Reflexões mais acessadas em
Reflexões Para Todos, últimos 30 dias